LIÇÕES SOBRE A ELEIÇÃO DE 2026. PLANO DE AÇÃO PARA 2028

A avalanche da extrema-direita nas eleições de 2026 mostrou o quão fraco e desorganizado está o campo da esquerda. 

A militância social, das organizações de bairro, sindicatos, centros acadêmicos etc, campo predominante da esquerda, se mostra completamente esvaziada. Diante disso, personalidades da internet, muitos deles jovens, foram recordistas de votos. 

Essa situação abre a seguinte reflexão: o que se pode fazer agora para iniciar uma reversão nesse cenário?

Seguem alguns pontos a serem transformados em ações efetivas pelo PDT para as eleições de 2028:


1. Engajamento nas redes. 

Sabemos que o PL tem do seu lado as Big Techs. Mas nem por isso a militância trabalhista deve abrir mão do engajamento nas redes sociais. Para isso, é preciso haver uma coordenação nacional de políticas para as redes sociais. Através da Fundação Leonel Brizola, fomentar as Rádios Legalidades nos Estados e municípios. Programas com formatos dinâmicos e atrativos, que impulsionem os algoritmos, de modo a receber muitas visualizações. Para isso, os diretórios devem investir dinheiro na militância que está disposta a entrar no projeto. O PDT vai perder o fundo eleitoral por causa da cláusula de barreira, sendo assim, os companheiros com cargos eleitos precisam criar um fundo próprio para investir nessa militância virtual. Garimpar nomes novos na política, pois a renovação no sentido de “novas caras” foi algo que a direita fez muito bem.


2. Renovação

Seguindo nessa linha, o partido precisa imediatamente colocar nomes novos na disputa. Mas não simplesmente por colocar, mas para mostrar a cara da renovação. Quantos jovens têm espaço nos diretórios? Quantos fazem uma ponte do partido com outros movimentos sociais? Essas pessoas precisam estar na linha de frente. E as velhas lideranças precisam imediatamente abrir espaço, pois alavancar novas lideranças não significa perder espaço, é sim abrir mais espaço onde não se tem.


3. Formação política. 

Fundamental para colocar em prática os demais pontos. Sem formação política o partido não vai aparecer, não vai mostrar sua identidade e não teremos quadros eleitos alinhados a nossa ideologia. A esquerda governa o país desde 2003, houve interrupções entre 2016 e 2022, mas parte da nova geração que precisamos captar enxerga a esquerda como sinônimo de “sistema”. Por isso essa rebeldia da direita cai tão bem entre os jovens: se ser contra o sistema é ser de direita, então eles vestem a camisa. Apesar dos tímidos avanços, os governos do PT se mostraram ineficientes em reverter os desmontes da previdência e em criar novas leis trabalhistas. Ao invés disso apostaram nos “empreendedores” que têm uma falsa sensação de liberdade no trabalho, mas nenhuma segurança do que ainda resta da CLT. Por isso, o trabalhismo precisa se mostrar como a superação da precarização social, que propõe o PL, e do estado assistencialista, que propõe o PT. O trabalhismo precisa reforçar seu compromisso com o estado de bem-estar social, que tem sua raiz histórica em Getúlio, Jango e Brizola. E isso só é possível com muita formação política. 


4. Alternativa à polarização. 

Vivemos hoje, no Brasil, um clima de polarização e ódio político entre os contrários, sendo necessária a existência de um segmento que una, novamente, o país. O trabalhismo de Getúlio, Jango e Brizola deve abraçar para si esse compromisso. Embora essa polarização tenha se iniciado em 2013 com uma direita antipetista que, mais tarde, deu a luz ao bolsonarismo, hoje essa tendência encontra eco dentro do campo da esquerda através do que se convencionou chamar de "identitarismo" ou "particularismo". Essas tendências, boa parte importadas dos EUA, calcadas na exploração das aversões e ressentimentos como motor da luta política (de forma semelhante ao fascismo) criam divisões dentro da classe trabalhadora elegendo inimigos intitulados de "privilegiados", realizando ataques aos mesmos no campo religioso, de gênero, racial e afetivo/sexual, pouco se diferenciando do ódio da extrema direita, que classifica a luta política no Brasil como uma "guerra espiritual". Para vencer essa polarização, não se pode negar a existência da problemática das opressões estruturais: é necessário que essas discussões se estabeleçam dentro de uma prerrogativa que preze pela racionalidade e pelos valores democráticos, pela presunção de inocência, pelo amplo direito à defesa, sem que se eleja inimigos dentro da própria classe trabalhadora nem se insufle qualquer sentimento de ódio, revanche ou vingança. O Brasil é um só, a classe trabalhadora é uma só, e os interesses de seus diferentes grupos precisam ser enquadrados dentro da ordem democrática, calcados no respeito mútuo, na tolerância e na coexistência pacífica.


5. Política na prática

Além da parte ideológica de sempre, o partido deve investir pesado em duas frentes bem práticas para dar sustentação pro movimento, sendo uma delas, a  formação em gestão pública na prática. A ideia é funcionar quase como um preparatório para concurso, demonstrando como se elabora e tramita um Projeto de Lei, como montar um Projeto de Iniciativa Popular, como ler e fiscalizar orçamento público, entender Lei de Licitação e por aí vai. Dar a ferramenta real e técnica para nossa militância saber exatamente como a engrenagem do Estado funciona por dentro. Neste sentido, criar um espaço permanente de estudo da realidade do país. Organizar palestras, cursos curtos, mentorias e oficinas abordando economia política, agricultura familiar, mercado de trabalho, mercado de ações, estatística, geopolítica e finanças públicas. Para viabilizar isso, seria interessante trazer pesquisadores, acadêmicos, profissionais da área e até quadros de outros partidos pra somar, debater e dar consistência pra nossa leitura do Brasil.



Assinam: 

Fábio Melo - Trabalhismo21 Canoas/RS

Thomaz Herler - Militante Trabalhista Campo Grande/MS

Cristiano Castro Araujo - Colaborador do canal "Da Prática Política" - Palmares do Sul /RS

Greice Franco- PDT Caxias do Sul/RS

Ricardo Ferreira - Trabalhismo 21 Porto Alegre/RS

Matheus Araújo PDT Porto Alegre/RS

Pablo Damião - Militante Trabalhista - Parobé/RS











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