Fábio Melo* Chega a ser uma contradição, mas ao longo da história se percebe como os defensores da "liberdade", do "liberalismo", amam governos autoritários, antidemocráticos e ditatoriais. A história é o critério da verdade. E a história mostra que todos aqueles que se consideram liberais, nos momentos críticos, correm para baixo da asa do autoritarismo e das ditaduras. Basta analisarmos a ascensão do fascismo na Itália, na década de 1920. Neste país europeu, os liberais, temendo uma "ameaça comunista", ou uma revolução social, abraçaram Mussolini sem pensar duas vezes. Um dos exemplos mais emblemáticos foi o filósofo liberal Benedetto Croce (1866-1952), que num primeiro momento apoiou o fascismo - quando percebeu o que era realmente o fascismo, já era tarde demais. Na América Latina, os exemplos são ainda mais evidentes. Em 1964, aqui no Brasil, os grandes arautos do "liberalismo" (como o jornalista Carlos Lacerda, ou o ex-presidente Juscelino...